domingo, 13 de maio de 2012


Você sabe o que é a doença PERIODONTITE?

            A doença periodontal ou periodontite é uma infecção causada por bactérias, geralmente indolor, trazendo sangramento da gengiva e destruição das estruturas que sustentam os dentes (ex.: gengiva e osso). Com a perda dos tecidos que dão sustentação, os dentes com a doença periodontal em estádio avançado passam a apresentar mobilidade e, conseqüentemente, a perda destes dentes. A doença periodontal pode ter seu início na dentição decídua – “dentes de leite” – e a prevalência da doença é aumentada com o avanço da idade do paciente. Contudo, estudos mostram que não só os dentes estão em risco devido à doença periodontal, mas, também, a condição sistêmica – “o corpo humano”.

Doença periodontal x Aterosclerose (doença cardiovascular / cerebrovascular) x Acidente vascular cerebral (derrame): As doenças periodontais representam infecções mistas dos tecidos periodontais causadas por bactérias Gram – negativas anaeróbias primárias. Ao redor de cada dente, em uma única bolsa periodontal – “dentro da gengiva” – podemos encontrar de 9 a 10 bilhões de bactérias. O epitélio ulcerado – “pele que reverte a gengiva” – representa uma porta através da qual bactérias entram e desencadeiam uma resposta inflamatória local e sistêmica do paciente. Pacientes com periodontite mostram uma contagem elevada de células inflamatórias sanguíneas, citocinas pós-inflamatórias e proteínas capazes de lesionar as células que revestem os vasos sanguíneos do corpo, bem como do coração e cérebro, favorecendo o desenvolvimento da aterosclerose, doença coronariana cardíaca e derrame cerebral.

Doença periodontal x Diabetes: Evidências vindas de vários estudos mostram o papel do diabetes mellitus como um fator de risco para a periodontite. Pesquisadores relatam que os diabéticos possuem probabilidade três vezes maior de sofrer perda dos tecidos de suporte do dente (gengiva, osso), do que os que não apresentam a doença. Entretanto, outros estudos sugerem que uma relação inversa, também, pode estar presente. Ao lado do conceito de que as infecções podem contribuir para o prejuízo do controle metabólico do diabetes, estudos de indivíduos diabéticos, tanto tipo 1 quanto tipo 2, indicaram que as infecções periodontais, também, podem ser prejudiciais para o controle metabólico do diabetes.
Doença periodontal x Gravidez: Estudos recentes fornecem importantes comprovações e demonstram a possibilidade de que infecções orais (doença periodontal), mesmo de baixo grau, também, desencadeiam inflamações da unidade fetomaterna em uma maneira análoga à observada com infecções do trato reprodutor, trazendo complicações na gravidez, incluindo aborto espontâneo, trabalho de parto prematuro e nascimento com baixo peso. De interesse particular, não apenas a presença da doença periodontal no início da gravidez parece conferir risco, mas, também, se a doença periodontal se tornar mais grave durante a gravidez, aumentando o risco de nascimento prematuro.
Doença periodontal x Doença Respiratória: As doenças respiratórias como a pneumonia e a doença pulmonar obstrutiva crônica contribuem consideravelmente para a morbidade e a mortalidade na população humana. Diversos estudos propõem que infecções periodontais podem aumentar o risco de doenças respiratórias. Por exemplo, as bactérias orais da bolsa periodontal – “dentro da gengiva” – podem ser aspiradas para o pulmão e causar pneumonia por aspiração. Os dentes, também, podem servir como reservatórios para a colonização de patógenos e subseqüente pneumonia nosocomial – “em pacientes hospitalizados”.
Doença periodontal x Mau Hálito (Halitose): Mau hálito oral significa um odor desagradável do ar exalado, que se origina da própria cavidade oral, tendo como principais causas (87% das causas) a gengivite, a periodontite e a língua saburrosa. O termo HALITOSE é sinônimo de mau hálito. As pessoas que sofrem desse problema geralmente adotam algumas medidas para evitá-lo, como manter distância dos outros quando estiverem falando ou manter as mãos na frente da boca enquanto estiverem falando. Portanto, pode-se concluir que o impacto socioeconômico do mau hálito é considerável.
Doença periodontal x Infecção por HIV: Pacientes infectados pelo HIV possuem alta prevalência de periodontite (de 100 pacientes infectados, 19 possuem alterações periodontais). Os pacientes em uso de medicação anti-retroviral para HIV mostram-se cinco vezes menos susceptíveis a sofrer de periodontite, quando comparados àqueles que não usam tal medicação.
Doença periodontal x Ortodontia (Aparelho dentário): O tratamento ortodôntico pode ser um auxiliar para a terapia periodontal, porém, quando o tratamento ortodôntico está combinado com inflamação pode, certamente, contribuir para uma destruição mais rápida dos tecidos periodontais do que a que ocorreria com a inflamação isoladamente, podendo levar à perda do dente. O elemento-chave no tratamento ortodôntico de pacientes com doença periodontal é a eliminação do acúmulo de placa e da inflamação gengival. Isso implica grande ênfase nas instruções de higiene oral, no planejamento da construção do aparelho ortodôntico e em revisões periodontais, durante todo o tratamento.
Doença periodontal x Implantes dentários: Assim como a periodontite, infecções ocorrem com bastante freqüência ao redor dos implantes, denominadas PERIIMPLANTITE. O mesmo processo infeccioso que destrói o tecido ósseo que sustenta o dente, também, é destruído ao redor dos implantes, ocasionando a perda destes. Implantes instalados em paciente que possuem histórico de periodontite exibem um maior índice de fracasso dos implantes. Isto demonstra que quem possui implantes dentários não está livre de problemas bucais e deve ter supervisão odontológica pelo menos de 6/6 meses.
Doença periodontal x Tabagismo (Pacientes Fumantes): Vários estudos mostram que a progressão da doença periodontal em pacientes fumantes é duas vezes mais rápida do que em não-fumantes. Não apenas o risco de contrair a doença periodontal é aumentado pelo fumo, mas, também, a resposta ao tratamento da periodontite é prejudicada em fumantes. Interessante é que a condição periodontal em pacientes ex-fumantes mostra-se tão estável quanto nos não-fumantes, enfatizando os efeitos benéficos da suspensão do hábito do fumo.


    Felizmente, hoje é possível prevenir e tratar a doença periodontal, dependendo do seu estádio. Quanto mais tarde for diagnosticada, pior será o prognóstico do tratamento. Lembre-se que essa infecção geralmente é indolor, por isso, visite um Periodontista regularmente.











Bibliografia: Tratado de periodontia clínica e implantodontia oral / Jan Lindhe, Thorkild Karring, Niklaus P. Lang. - Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2005. (Com modificações para melhor entendimento aos pacientes).